O efeito psicodélico causado pela psilocibina presente no
cogumelo faz com que ele, atualmente, seja usado para alcançar experiências
místicas e de autoconhecimento. Entretanto, devido a proibição de estudos sobre
psicodélicos que ocorreu na década de 1960, ainda existe uma visão negativa
associada ao uso desse grupo de substâncias, o qual a psilocibina faz parte.
Foi então percebida a necessidade de aprofundar os
conhecimentos e entender melhor a psilocibina e os seus efeitos no corpo
humano. Assim, objetivou-se analisar a literatura científica sobre a
psilocibina e o seu potencial terapêutico em saúde mental. Através de uma
revisão integrativa na literatura disponível, foi possível buscar, reunir e
sistematizar os resultados dessa pesquisa, que teve como amostra 11 artigos,
buscados nas bases de dados SCIELO, MEDLINE/PubMed, BVS, SCOPUS e CINAHL, a
partir do cruzamento dos descritores “Psilocybin” e “Mental Health”, com seus
respectivos correspondentes nas línguas português e espanhol, utilizando o
operador boleano AND, tendo sido encontrados artigos apenas na base de dados
MEDLINE/PubMed.
A produção científica encontrada e analisada na pesquisa
apresentou resultados positivos sobre a psilocibina. O princípio ativo
encontrado nos cogumelos mágicos apresenta baixa toxicidade, não tem potencial
de causar danos cerebrais, mentais ou físicos, nem de causar adicção, uso
compulsivo ou abuso. Além disso, a psilocibina tem um grande potencial para
tratamento de pacientes com depressão resistente a tratamentos farmacológicos
convencionais, com significativa melhora na sintomatologia depressiva em um
menor espaço de tempo e com efeitos prolongados, mesmo em poucas doses. Essa
melhora também se manifesta em outros transtornos mentais, como a ansiedade,
transtorno obsessivo-compulsivo e abuso de drogas. Essas melhoras não podem ser
dissociadas da experiência mística/psicodélica associada ao uso agudo e pós
agudo, que causam sensação de paz, plenitude e reflexões sobre o “eu interior”.
Dores Crônicas Uso de psicodélicos no tratamento das
Usadas em combinação com apoio psicológico, as drogas
psicodélicas, como: dietilamida do ácido lisérgico (LSD), psilocibina (o
componente psicoativo dos cogumelos mágicos) e dimetiltriptamina (DMT) parecem
exibir efeitos terapêuticos promissores em condições como a depressão,
dependência e ansiedade no final da vida.
O perfil de segurança dos psicodélicos está bem
estabelecido, como sendo em grande parte fisiologicamente benigno, embora
períodos psicologicamente desafiadores sejam comuns durante experiências
agudas.
O interesse no uso de psicodélicos para tratar dores
crônicas pode ser terapeuticamente útil, especificamente para a dor oncológica,
dor do membro fantasma, no tratamento de dores de cabeça intratáveis, como
enxaqueca e dores de cabeça em salvas.
O principal mecanismo de ação dos psicodélicos clássicos é
através do receptor de serotonina 5-HT2A, que é parte integrante da dor
inflamatória. Os
psicodélicos reduzem a inflamação através dos efeitos posteriores do agonismo
do 5-HT2A e podem resultar em respostas de dor central dessensibilizadas. Os
efeitos agudos dos psicodélicos também podem contribuir para uma resposta
analgésica, reorientando a atenção das sensações desagradáveis para percepções
alteradas.
A medicação psicodélica cresceu em popularidade nos últimos
anos, representando 14,8% do uso auto-relatado de substâncias psicodélicas e o
uso de LSD pela primeira vez aumentou dez vezes, em 10 anos, em adultos com
mais de 26 anos. Os métodos de utilização variam desde a toma semi-regular de
doses subperceptíveis, conhecidas como “microdosagem”, até sessões isoladas de
doses elevadas que emulam contextos clínicos para abordar preocupações de saúde
mental.
Com o uso de psicodélicos clássicos, houve variação
considerável nas substâncias, doses, frequência de uso e longevidade dos
efeitos relatados. As substâncias utilizadas variam, sendo as mais relatadas os
cogumelos contendo psilocibina e os bons resultados ocorreram, em grande parte,
produto de tentativa e erro, especialmente no que diz respeito à substância e à
dose.
Em geral, houve significativa melhoria na qualidade de vida
das pessoas, percebida principalmente, no aumento da função, independência,
energia e capacidade de movimento, além de melhoras no desempenho cognitivo, implicando
no bem-estar geral.
A construção psicológica da incorporação de psicodélicos
destaca a conexão mente-corpo e sugere que fenômenos subjetivos, incluindo
sentimentos e comportamentos, são fundamentalmente informados somaticamente. As
mudanças de perspectiva descritas durante a experiência psicodélica aguda,
muitas vezes, persiste por mais de 2 meses.
O reenquadramento positivo das relações das pessoas com sua
dor crônica, após o uso de psicodélicos, conduz a novas perspectivas de
esperança, capacitação e otimismo, associada a analgesia duradoura.
os vídeos a seguir são muito explicativos
o 1° faz parte de uma seriado da Netflix
o 2° é um corte com a Fala do Dr. Wilson - médico psiquiatra que estuda esse tema há mais de 40 anos
no YouTube tem muitos vídeos do Dr. Wilson em podcasts, é sempre muito interessante.
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