sexta-feira, 10 de abril de 2026

Psilocibina - função e uso


 A psilocibina é um alcaloide agonista serotoninérgico, princípio ativo dos chamados “cogumelos mágicos”, sendo encontrada predominantemente nos cogumelos do gênero Psilocybe sp., que tem sido utilizado milenarmente em rituais indígenas religiosos.

O efeito psicodélico causado pela psilocibina presente no cogumelo faz com que ele, atualmente, seja usado para alcançar experiências místicas e de autoconhecimento. Entretanto, devido a proibição de estudos sobre psicodélicos que ocorreu na década de 1960, ainda existe uma visão negativa associada ao uso desse grupo de substâncias, o qual a psilocibina faz parte.

Foi então percebida a necessidade de aprofundar os conhecimentos e entender melhor a psilocibina e os seus efeitos no corpo humano. Assim, objetivou-se analisar a literatura científica sobre a psilocibina e o seu potencial terapêutico em saúde mental. Através de uma revisão integrativa na literatura disponível, foi possível buscar, reunir e sistematizar os resultados dessa pesquisa, que teve como amostra 11 artigos, buscados nas bases de dados SCIELO, MEDLINE/PubMed, BVS, SCOPUS e CINAHL, a partir do cruzamento dos descritores “Psilocybin” e “Mental Health”, com seus respectivos correspondentes nas línguas português e espanhol, utilizando o operador boleano AND, tendo sido encontrados artigos apenas na base de dados MEDLINE/PubMed.

A produção científica encontrada e analisada na pesquisa apresentou resultados positivos sobre a psilocibina. O princípio ativo encontrado nos cogumelos mágicos apresenta baixa toxicidade, não tem potencial de causar danos cerebrais, mentais ou físicos, nem de causar adicção, uso compulsivo ou abuso. Além disso, a psilocibina tem um grande potencial para tratamento de pacientes com depressão resistente a tratamentos farmacológicos convencionais, com significativa melhora na sintomatologia depressiva em um menor espaço de tempo e com efeitos prolongados, mesmo em poucas doses. Essa melhora também se manifesta em outros transtornos mentais, como a ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo e abuso de drogas. Essas melhoras não podem ser dissociadas da experiência mística/psicodélica associada ao uso agudo e pós agudo, que causam sensação de paz, plenitude e reflexões sobre o “eu interior”.


 


Dores Crônicas Uso de psicodélicos no tratamento das

 {...}As intervenções convencionais, tanto farmacológicas como invasivas só são eficazes em até 80%, deixando cerca de 1 em cada 5 pacientes sem alívio da dor. São tratamentos que negligenciam ou não abordam adequadamente o impacto psicológico das condições de dor crônica, levando a um número crescente de pessoas que procuram tratamentos alternativos.

Usadas em combinação com apoio psicológico, as drogas psicodélicas, como: dietilamida do ácido lisérgico (LSD), psilocibina (o componente psicoativo dos cogumelos mágicos) e dimetiltriptamina (DMT) parecem exibir efeitos terapêuticos promissores em condições como a depressão, dependência e ansiedade no final da vida. 

O perfil de segurança dos psicodélicos está bem estabelecido, como sendo em grande parte fisiologicamente benigno, embora períodos psicologicamente desafiadores sejam comuns durante experiências agudas. 

O interesse no uso de psicodélicos para tratar dores crônicas pode ser terapeuticamente útil, especificamente para a dor oncológica, dor do membro fantasma, no tratamento de dores de cabeça intratáveis, como enxaqueca e dores de cabeça em salvas. 

O principal mecanismo de ação dos psicodélicos clássicos é através do receptor de serotonina 5-HT2A, que é parte integrante da dor inflamatória. Os psicodélicos reduzem a inflamação através dos efeitos posteriores do agonismo do 5-HT2A e podem resultar em respostas de dor central dessensibilizadas. Os efeitos agudos dos psicodélicos também podem contribuir para uma resposta analgésica, reorientando a atenção das sensações desagradáveis para percepções alteradas. 

A medicação psicodélica cresceu em popularidade nos últimos anos, representando 14,8% do uso auto-relatado de substâncias psicodélicas e o uso de LSD pela primeira vez aumentou dez vezes, em 10 anos, em adultos com mais de 26 anos. Os métodos de utilização variam desde a toma semi-regular de doses subperceptíveis, conhecidas como “microdosagem”, até sessões isoladas de doses elevadas que emulam contextos clínicos para abordar preocupações de saúde mental. 

Com o uso de psicodélicos clássicos, houve variação considerável nas substâncias, doses, frequência de uso e longevidade dos efeitos relatados. As substâncias utilizadas variam, sendo as mais relatadas os cogumelos contendo psilocibina e os bons resultados ocorreram, em grande parte, produto de tentativa e erro, especialmente no que diz respeito à substância e à dose. 

Em geral, houve significativa melhoria na qualidade de vida das pessoas, percebida principalmente, no aumento da função, independência, energia e capacidade de movimento, além de melhoras no desempenho cognitivo, implicando no bem-estar geral. 

A construção psicológica da incorporação de psicodélicos destaca a conexão mente-corpo e sugere que fenômenos subjetivos, incluindo sentimentos e comportamentos, são fundamentalmente informados somaticamente. As mudanças de perspectiva descritas durante a experiência psicodélica aguda, muitas vezes, persiste por mais de 2 meses.

O reenquadramento positivo das relações das pessoas com sua dor crônica, após o uso de psicodélicos, conduz a novas perspectivas de esperança, capacitação e otimismo, associada a analgesia duradoura. 


os vídeos a seguir são muito explicativos

o 1° faz parte de uma seriado da Netflix






o 2° é um corte com a Fala do Dr. Wilson - médico psiquiatra que estuda esse tema há mais de 40 anos



no YouTube tem muitos vídeos do Dr. Wilson em podcasts, é sempre muito interessante.

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